LOUIS VUITTON ENCERRA A PFW EM APRESENTAÇÃO HISTÓRICA

Como já é de costume, a tradicional Louis Vuitton encerrou com seu desfile o que possivelmente foi a PFW mais diferente de todas as suas edições por muitos anos. Como digno de um desfile de encerramento, a magia das passarelas não foi deixada de lado, mas a experiência virtual foi amplificada a um outro nível. No interior do icônico edifício La Samaritaine, convidados se misturavam a câmeras de 360 graus que permitiam espectadores distantes a assistirem ao desfile como se estivessem lá, girando suas cadeiras para captar cada ângulo do espaço e cada modelo que desfilava.

A coleção apresentada caminhava bastante alinhada à estética Art Deco do local de sua apresentação, e o desfile equilibrava nuances que mesclavam o passado ao presente, numa entrega contemporânea e, ao mesmo tempo, carregada de referências vintages. Nicolas Ghesquière, diretor criativo à frente da grife francesa, comandou uma coleção ousada e impactante, com o predomínio de peças que conversavam com a estética genderless.

Segundo o estilista, sua principal inspiração não foi a escolha de uma temática em si, mas sim a exploração de uma zona cinzenta que paira entre conceitos de feminilidade e masculinidade. Pessoas que estão se libertando de convenções sociais e se permitindo explorar novas possibilidades para se expressar através da moda foram a motivação inicial para criar uma coleção diversa e multifacetada. Além das silhuetas oitentistas tão características do traço do designer, as passarelas contaram com peças que exploravam itens que flutuam entre o feminino e o masculino sem se fixar em um dos dois extremos. Alfaiataria da mais alta qualidade modelada em silhuetas amplas, bermudas e calças largas, sobretudos elegantes e estampas gráficas deram o tom a um desfile que uniu o clássico ao jovem em uma inspiração audaciosa e super atual.

Beijos, Lalá.

Sonho e realidade se encontram na nova coleção prêt-à-porter da Chanel

Reprodução: L’Officiel Brasil

Um show digno de Hollywood. E foi assim que Chanel marcou seu impacto ao apresentar sua nova coleção prêt-à-porter para a próxima temporada primavera-verão. Projetando o nome da marca como letreiro de Hollywood, a tradicional maison francesa lançou seu teaser para o que viria a ser uma coleção de tirar o fôlego. A locação do desfile, o suntuoso Grand Palais de Paris, seguiu a mesma releitura do icônico letreiro sobre as montanhas de Santa Monica que soletrava o nome da grife.

Realista e ao mesmo tempo sofisticada, a coleção apresentada por Virginie Viard teve inspiração direta no universo cinematográfico. Sua diretriz, contudo, não foram os filmes ou muito menos seu caráter fictício, mas sim as figuras femininas que os interpretam. A diretora criativa à frente da label mergulhou nas vidas dicotômicas das atrizes modernas, que transitam entre o glamour do tapete vermelho e tarefas da “vida real”, como ir ao banco ou comprar um Starbucks na esquina.

E o grande letreiro à la Hollywood foi apenas o pontapé inicial para dar palco a um desfile que amarrou o conceito da coleção com delicadeza e maestria. Os looks desfilados entregavam uma estética bastante “cool girl” parisiense, em um mix elegante e descolado. Os icônicos casaquetos da marca ganharam um toque de playfulness com ombreiras super estruturadas no estilo oitentista e contrastadas com jeans ou bikers shorts no tradicional tweed da label. Cardigãs oversized e com amarração evocavam robes, vestidos sofisticados remetiam ao luxo do red carpet, estampas em preto e branco refletiam o romance de filmes antigos e prints gráficos no estilo grafite simulavam anúncios de outdoors, em um mix de motivos que conversavam perfeitamente para entregar uma coleção que nos faz sonhar de olhos bem abertos.

Beijos, Lalá.

Chloé adapta sua estética para um contexto pós-pandemia na PFW

O Palais de Tokyo, em Paris, foi o palco escolhido por Natacha Ramsay-Levi para apresentar sua coleção Primavera-Verão 2021 para a Chloé. Trazendo questionamentos acerca de como nossos guarda-roupas influenciam a forma como nos movimentamos e comportamos em espaços públicos, a apresentação contrastava o catwalk das modelos nas passarelas com imagens dessas mesmas mulheres em situações do dia-a-dia projetadas em três telões, num approach um tanto quanto filosófico no qual muitas marcas mergulharam devido ao contexto de isolamento social.

Essa forma de pensar se refletiu em uma coleção ancorada em elementos já vistos em coleções anteriores e que voltam a aparecer em reinterpretações reduzidas e otimizadas em termos de corte e adornamento, brindando novas versões que mesclam o esteticamente desejável a um conceito mais realista e acessível. Diretora criativa por trás da label francesa, Natacha afrouxou a tradicional silhueta Chloé para contemplar a temática de comfort dressing tão presente na moda atual e reduziu o nível de ornamentação de suas peças, focando mais em suas formas e cores.

Segundo a estilista, shapes quadrados se tornaram uma grande obsessão sua durante a quarentena e aparecem nessa coleção numa mescla interpretativa de motivos e slogans inspirados no trabalho da artista e ativista norte-americana Corita Kent. Mensagens que incentivam o pensamento coletivo e enaltecem o poder comunitário entram para casar com caimentos leves e fluídos que representam uma sociedade que transita para o novo.

Beijos, Lalá.

BALMAIN CELEBRA 75 ANOS DE SUA FUNDAÇÃO NA NOVA COLEÇÃO PRÊT-À-PORTER

O Jardin de Plantes em Paris foi o palco escolhido por Oliver Rousteing para apresentar sua nova coleção prêt-à-porter para a Balmain, na última quarta-feira (30/9). O desfile noturno foi motivo para celebração em grande estilo dos 75 anos da marca fundada por Pierre Balmain, cujo legado também foi inspiração central para o desenvolvimento da coleção.

Diretor criativo à frente da brand francesa, Oliver declarou que quis celebrar o otimismo e a audácia que foram armas cruciais para a fundação da marca e que se fazem mais necessárias do que nunca no contexto social que 2020 implicou sobre a humanidade como um todo.

Nas passarelas, o desfile já se inicia refletindo todo o DNA irreverente e oitentista da marca através de uma alfaiataria em silhueta reta e com bastante volume nos ombros, que vibrava em verde e rosa neon. Em seguida, a mesma alfaiataria imponente volta a aparecer, agora contrastando os mesmos tons de neon com a neutralidade do cinza e instaurando as primeiras nuances contrastantes entre cores saturadas e tons neutros que ditaram o ritmo da coleção.

Tons de azul marinho e blue jeans desfilaram também em cortes retos ou volumosos, e o army style característico do traço de Oliver foi a aposta certeira para manter a identidade e coesão entre cada peça da coleção. Quando não nos deparávamos com os clássicos smokings de super ombreiras, surgiam cardigãns de cashmere ou casaquetos de tweed decorados com grandes botões. Ao predomínio do jeans e da alfaiataria clássica, eram somados detalhes assimétricos, corpetes ajustados, bermudas biker, calças com modelagem flare e bolsas de mão.

Para amarrar o conceito que envolve a homenagem ao legado da marca, Oliver uniu sua paixão por criações gráficas em preto e branco à recém adaptada estampa PB da marca, que representa o monograma com as iniciais de seu fundador com inspiração nos intrigantes labirintos dos jardins da França Renascentista, pelos quais Pierre sempre declarou seu fascínio.

Beijos, Lalá.

ALGUNS HIGHLIGHTS DOS DESFILES DE VALENTINO E ALBERTA FERRETTI PARA A MFW

Semana passada compartilhei aqui minhas percepções sobre o desfile de duas marcas italianas que amo muito! A MFW é de fato uma das semanas de moda mais encantadoras e mais duas grandes marcas chamaram a minha atenção. Albterta Ferretti e Valentino apresentaram coleções apaixonantes e decidi trazer no post de hoje alguns hightlights sobre esses desfiles.

Alberta Ferretti

Para apresentar sua coleção Primavera-Verão 2021, Alberta Ferretti realizou seu desfile presencial ao ar livre, nos jardins do Castello Sforzesco, em um clima relaxante e despreocupado que também se fez presente na coleção apresentada, que se mostrou mais fiel que nunca ao estilo romântico e feminino que caracterizam o traço da estilista. Sua grande inspiração para esta coleção foi o romance, a suavidade e a gentileza, ambos constituindo uma força interna que a designer considera crucial, principalmente nos tempos difíceis que temos vivido.

Imprimindo o poder natural da feminilidade em sua nova coleção, Alberta apresentou peças delicadas e fluídas que representavam perfeitamente seu ideal de graciosidade. Esvoaçantes vestidos de musselina, peças com os mais delicados bordados e rendas suaves em macramê deram ritmo à sua valsa de sensibilidade. Além de peças dignas de um conto de fadas, a estilista também ecoou sua preocupação em atender as necessidades de mulheres reais ao apresentar criações “para o guarda-roupa”. Jeans colorido em tons pasteis apareceram em calças apertadas e de cintura alta como o elemento central para desenvolver opções práticas e ao mesmo tempo, com significado. Camisas bordadas e mangas bufantes também surgem como elementos românticos e femininos, numa escolha por leveza e suavidade que trazem à tona o poder e a força que se projetam através do romantismo.

Valentino 

Para encerrar a MFW com chave de ouro, a Maison Valentino apresentou sua coleção Primavera-Verão 2021 num desfile mágico e impactante. Diretor criativo à frente da grife, Pierpaolo Piccioli buscou sair um pouco do universo da haute-couture no qual a Maison tem suas raízes aprofundadas e trabalhou mais sobre a identidade da marca em detrimento de sua estética extravagante. Num golpe de ousadia, Piccioli ressignificou os códicos estéticos da label em uma interpretação do que o designer chamou de romance radical.

Individualismo, idealismo, rebelião, liberdade de escolha, autenticidade e diversidade foram as palavras de ordem para esta coleção, numa narrativa do mundo ideal para seu designer. Para seguir essa história contada através da moda, cada peça foi pensada individualmente e de acordo com a personalidade de cada personagem idealizado para ela, homens e mulheres que contam diferentes histórias e vivências através de seu estilo pessoal. 

Rendas, macramê, crochê, bordados e outras texturas provenientes da expertise em alta costura da label ganharam um toque de simplicidade em um approach que logrou oferecer um novo olhar sobre a marca e, ao mesmo tempo, se manter fiel a sua essência. A abordagem de uma Valentino revisitada, moderna e sofisticada se desenvolveu numa progressão suave entre looks minimalistas e lineares, e vestidos que carregavam a elegância a imponência típicas de um Valentino. Nessa dança entre estilos, Piccioli apresentou um fashion show carregado de emoções e significados reais e humanos.

Beijos, Lalá.